A gambiarra como exercício de pensamento
A capacidade de adaptação do ser humano já é muito conhecida. O homem consegue se adaptar a ambientes e situações de forma relativamente fácil, seja se acostumando com o que tem ou modificando o ambiente para atender as suas necessidades (ou seja, detonando tudo)
Ok, vamos nos manter na primeira opção. Falarei hoje no jeitinho. Na gambiarra.
Aqui vão algumas definições:
Trabalho feito com improviso, com peças alternativas, Improviso temporário permanente, engenharia alternativa, conhecida também como “recurso técnico”.
A necessidade é a mãe da gambiarra. Ou seja, a necessidade nos obriga a criar soluções que não necessariamente sejam as mais fáceis e correta, mas que resolvem a questão de forma provisória (ou permanente). E ela não está presente apenas no que é mais conhecido e classificamos como criminoso, como o compartilhamento da luz ou do combustível do vizinho. Pelo contrário. Ela se faz presente até mesmo nos aspectos mais simples da vida.
Cadernos
Por exemplo: escrevo há muito tempo. Desde os 17 anos, pra ser mais exata., e como tenho 23, não falta papel em casa. Costumo guardar todos os escritos, tanto para avaliar a qualidade quanto para dar boas risadas. Mas o que isso tem a ver com gambiarra afinal?
Veja.

Percebam a discrição dos remendos

Um remendo discreto para não perder uma página
Os cadernos, como vocês podem ver, são frágeis, então imagine o que acontece quando você os leva para todo lugar?
Um brochurão arrebenta com muita facilidade, ainda mais quando começamos a arrancar folhas. Uma folha pode ser o início de um processo irreversível de destruição. Mas, tem hora que este fato não pode ser evitado, e buscar alternativas para tentar prolongar seu prazo de vida pode ser uma proeza que beira ao ridículo.
E não, não guardo só isso. Já escrevi muito mais, porém selecionei os que estão em piores condições. Essas folhas soltas são coisas escritas em cadernos que não resistiram ao tempo… ou a dona deles.
Edição de imagens:
Falarei de algo mais prosaico então. As proezas com editores de imagens. Antes da popularização de sites com montagens ou da democratização do Photoshop (entendeu, né?) ou de um upgrade no computador com pouca capacidade de processamento, muito pouco poderia se fazer. Até que fui realmente longe no quesito gambiarra.
Imagine a situação: Windows 98, um paint com pouquíssimos recursos. Lidar com cada parte da figura exigia trocentas janelas abertas, já que hão havia chances de trabalhar com camadas. Recortar imagens tentando preservar os detalhes? Borracha e muito zoom. Depois disso Ctrl+C e Ctrl+V. Não mais que isso. Sem ajuste de cores, ou brilho.
O resultado era sofrível, só pra não dizer porco, mas era o que tinha. Isso durou até o dia em que passei usar o Paint aliado ao Power Point! O que era muito mais chato, mas com mais chances de dar certo já que os recursos eram melhores. Ainda péssimo comparado ao que se pode fazer hoje, mas algo louvável em termos de persistência.
Infelizmente, perdi boa parte desses arquivos já que era a época dos disquetes, e eles não eram suscetíveis ao jeitinho.
Gambiarra como objeto de reflexão
Sou defensora incondicional da gambiarra. Ela é uma forma de persistência, um estímulo para o pensamento, especialmente em uma era onde pensar é algo que está em desuso.
A necessidade te obriga a raciocinar. Já que as pessoas não pensam mais por escolha própria, que a carência, ou a vontade façam o seu papel na vida do ser humano, já que a ignorância atualmente é uma opção.












Olá Emanuelle,
Ótimo artigo!
Sem dúvida a gambiarra vai além do sentido pejorativo. Achar soluções com improviso também é arte! Bacana mesmo…
Eu também já fiz muitas coisas com o paint, e depois fui evoluindo. Mas quando não se conhece direito uma ferramenta boa, “temos que dar nosso jeito”.
Abraços.